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A autodenominada Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) noticiou a morte em combate, no passado sábado, de 15 pessoas num confronto que opôs militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) e das Forças Armadas de Cabinda (FAC), o braço armado da organização que luta pela independência do enclave localizado no norte de Angola.

Segundo a FLEC, do confronto resultou a morte de 13 militares das FAA e dois das FAC. Estes números não foram confirmados pelo lado das FAA.

A ocorrência de ataques desencadeados pela FLEC, embora intermitente, demonstra, por um lado, que a chamada resistência é isso mesmo. Fundada há quase 60 anos, para lutar contra o poder colonial português no enclave, a organização ganhou mais protagonismo após a independência de Angola em 1975.

De então para cá a FLEC, nas diferentes formas que assumiu, tem continuado a lutar para conquistar aquilo que considera um direito legítimo, a autodeterminação, em resultado do Tratado de Simulanbuco, assinado em 1885 entre o Portugal colonial e reinos localizados nas regiões norte de Angola e sul do Congo. O documento conferiu a Cabinda o estatuto de protetorado do Estado português, logo independente do território angolano.

Essa é a palavra-chave para resolver os conflitos. Onde quer que existam. Criar pontes, dialogar, concertar. Reconstruir. Nunca, mas nunca, desistir de dialogar

Por outro lado, prova aquilo que muitos dizem… que as elites militares angolanas sabem, pela experiência acumulada nos tempos em que, ainda guerrilha, combateram a presença portuguesa em Cabinda, que a morfologia da região é o palco ideal para proteger e dificultar o fim de quem escolheu a selva densa como base para desencadear ações militares em defesa dos seus ideários.

Apesar de já ter havido uma tentativa de conciliação para a paz no enclave com a assinatura de um memorando em 2006, pós guerra civil angolana, a realidade é que, de tempos-a-tempos, a FLEC lança ataques localizados que mantêm, na sua ótica, a causa viva.

O mais mediático aconteceu em 2010, quando um comando da organização atacou o autocarro onde seguia a seleção de futebol do Togo (três mortos, sete feridos entre os quais dos futebolistas), que ia disputar em Cabinda um dos subgrupos do Campeonato Africano das Nações (CAN), organizado por Angola.

De tudo isto pode tirar-se uma conclusão. A importância de trabalhar pelo diálogo e o entendimento. Isso mesmo foi avançado ao PLATAFORMA esta semana pelo primeiro-ministro do “governo sombra” da UNITA, Raúl Danda, ao apontar que a única solução para aquilo que classifica como um “conflito político-militar” em Cabinda só tem uma via de saída: “o diálogo”.

Essa é a palavra-chave para resolver os conflitos. Onde quer que existam. Criar pontes, dialogar, concertar. Reconstruir. Nunca, mas nunca, desistir de dialogar.

*Editor Executivo do Plataforma

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