Cabinda “não é um incidente é um conflito militar” - Plataforma Media

Cabinda “não é um incidente é um conflito militar”

O deputado e primeiro-ministro do “governo sombra” da UNITA, Raúl Danda, assegurou hoje em declarações ao PLATAFORMA que Cabinda continua a viver um “conflito político-militar” e que “o diálogo é a única via” para resolver os problemas no enclave localizado no norte do país

Raúl Danda reagia às recentes notícias que relataram a ocorrência de 12 mortes em confrontos na vila de Chuvovo, em Cabinda. Segundo um comunicado da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) os confrontos causaram a morte a quatro militares das Forças Armadas Angolanas, a seis civis e a dois combatentes da organização.

“O que ocorre em Cabinda não são incidentes. É um conflito político-militar que se instalou antes da independência do país antes de novembro de 1975. Trata-se da expressão das aspirações do povo de Cabinda a uma autodeterminação”, disse Rául Danda.

Para o antigo vice-presidente da UNITA, natural de Cabinda, o conflito “é legítimo, tem razão de ser”, mas “o Governo de Angola, liderado pelo MPLA, tem estado a tratar da questão de forma mais simplista e hedionda”.

Raul Danda, deputado e primeiro-ministro do Governo Sombra da UNITA

O Governo “utiliza a força, utiliza as armas, a intimidação, as detenções, a tortura, etc, para poder resolver um conflito que de facto existe, uma situação. Ao mesmo tempo que se reconhece a existência do caso Cabinda, vai-se mostrando pouca vontade de resolver os problemas”, lembrou.

Para o deputado, “a política praticada pelo Governo de Angola de ´faz o que eu digo não faças o que eu faço´ não presta”.

E justificou: “É que o Governo de Angola aconselha todos os outros países vizinhos a terminarem os conflitos através do diálogo, mas aqui insiste em querer terminar o conflito em Cabinda por via das kalashnikov, dos morteiros, dos canhões. Não vai funcionar”.

A solução, continuou, é aquela que foi repetida muitas vezes pelos cabindenses e pela própria UNITA.

O Governo de Angola, liderado pelo MPLA, tem estado a tratar da questão de forma mais simplista e hedionda

“Os próprios cabindas já o disseram reiteradas vezes. A UNITA que é a principal força da oposição em Angola, também já o disse reiteradas vezes. A única via é o diálogo, aberto” e não fazer como antes, comprar consciências”, acentuou.

Para Raúl Danda “agora que o dinheiro acabou, felizmente, e o MPLA já não vai ter oportunidade de ir comprar pessoas, consciências, em vez de dialogar”.

“É preciso dialogar. Os cabindas todos, onde quer que estejam, pensam Cabinda, pensam na necessidade de uma solução”, prosseguiu.

O responsável lembrou ainda que “se a FLEC quer ou diz querer uma independência, mas mesmo assim predispõe-se a sentar-se à mesa de negociações é porque obviamente quem vai negociar não vai com 100 por cento da sua vontade. A menos que o impusessem”.

“Se quer negociar é porque é possível chegar-se ao meio termo. Nós já sugerimos que até no quadro daquilo que a Constituição da República de Angola prevê, Cabinda podia ser uma região autónoma e o país continua a ser a mesma Angola”, afirmou.

E concluiu: “Mas o egoísmo e alguma nesga de falta de senso, por parte de quem dirige o país, faz com se crie esta casmurrice de ficar fixado nesta situação de ´ou vai ou racha´. A guerra em Cabinda nunca vai acabar. E o MPLA que faz a guerra em Cabinda devia saber que não há nada que possa fazer. Não vai conseguir fazer rigorosa e absolutamente nada para poder travar definitivamente aquilo. Não vai fazer. O diálogo é a única via de se resolver os problemas”.

O PLATAFORMA está a tentar obter uma reação do Governo de Angola a estas declarações.

O ministro da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria angolano, João Ernesto dos Santos, dizia recentemente, a 23 de maio, que “as forças armadas [angolanas] devem continuar a aperfeiçoar-se para garantir a manutenção e a estabilidade dessa região do território nacional”.

Citado pelo Jornal de Angola, o ministro assegurava que “a situação na Região Militar Cabinda está calma e sob controlo das autoridades militares e civis”.

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