O Chiado em Macau - Plataforma Media

O Chiado em Macau

Dario Santos, nascido no Porto, formado na Escola de Hotelaria do Estoril, representa a cozinha portuguesa em Macau há ano e meio, no restaurante Chiado. 

A oportunidade surgiu após um período de seis anos a trabalhar com o chefe Henrique Sá Pessoa, um nome sonante no panorama gastronómico português com duas estrelas Michelin no currículo. “Tive a proposta do chef Henrique para chefiar o Chiado. Já tinha uma grande ligação com o chef porque grande parte da minha passagem como cozinheiro em Lisboa foi a trabalhar com ele”, relata.

“Em 2013, acompanhei o chef Henrique Sá Pessoa a Macau para fazer uma semana gastronómica no Clube Militar com o chefe Henrique, que correu bastante bem”, diz. 

A partir daí, a hipótese da mudança se tornar permanente desenvolveu contornos mais sérios. “Foi uma experiência fantástica para aprofundar mais o meu conhecimento sobre Macau. Como é viver aqui, a maneira de estar das pessoas, foi uma aventura bastante rica. Quando voltámos para Portugal, ficou o bichinho de voltarmos. Felizmente tudo se desenvolveu e os contactos foram surgindo”, remata. 

“Desde miúdo sempre quis ser cozinheiro. É algo que nasceu comigo. E, felizmente, na minha família sempre me apoiaram a seguir esse caminho”, lembra. 

Dario Santos acredita que para ser um grande chef, “o mais importante é o produto”. Por outras palavras, um chef é tão bom quanto o produto que cozinha. Por isso é necessário ter um cuidado especial com os ingredientes que entram no restaurante. “Sem teres um produto de boa qualidade, é impossível brilhar. E depois de o ter, é preciso aplicar a melhor técnica e combinação de elementos. Esta junção faz um chef de cozinha”, argumenta. Mas o produto também se traduz num problema, por vezes. “Espero que Macau cresça mais neste campo (importação alimentar). Estamos bem mas espero que evolua, especialmente acho que devia haver espaço para os pequenos produtores de Portugal, Espanha ou França, que estão a potencializar o respetivo negócio. Temos de ver se conseguem chegar mais rapidamente e em maiores quantidades. Infelizmente, os fornecedores deparam-se com as burocracias em termos de transição de produtos e isso estraga tudo”, lamenta.

A região, apesar de trazer muitas vantagens para o português, apresenta dificuldades também. “Além de tentar obter os produtos específicos que quero, como já tinha referido, a língua também constitui uma barreira que gostava de saltar. No entanto, é difícil de aprender, mas gostava de, com tempo, poder comunicar com os meus clientes de uma maneira mais fluída”, acrescenta. 

Com “um currículo de 21 anos”, diz que encontrou na cidade um culminar de culturas que nunca antes tinha experienciado e, apesar disso, acredita ter influenciado o Chiado pela positiva. “Em Macau tenho uma equipa espetacular. Tive a sorte de ter uma mistura muito interessante. Tenho chineses, indianos, indonésios, filipinos, e até agora um índice muito jovem de trabalhadores. Encaixamos todos muito bem uns nos outros. Estou muito contente com a minha equipa a nível de interação e de aprendizagem mútua”, destaca.

O Chiado é um restaurante português, mas quer apresentar a gastronomia nacional de uma maneira jovem e diferente. “Ao entrar no restaurante, as pessoas pensam que vão encontrar os pratos de cozinha clássica portuguesa. Nós não representamos a cozinha clássica porque, apesar de ser um restaurante português, não fazemos aqui o pato com arroz, o cozido à portuguesa, que não deixa de ter o seu valor como é óbvio, mas o nosso conceito é mais moderno. Tentamos reinventar um pouco o sabor da cozinha clássica com uma certa criatividade relativamente à produção de sabores. Quem procura o prato típico, não vai encontrar aqui. Queremos refrescar o que já se conhece”, explica o chef.

“Cerca de seis meses antes vim cá preparar a abertura do restaurante. Portugal tem aqui uma representação forte e isso facilitou-me a transição”. A empresa também me apoia muito, sinto-me bem e até agora está tudo a correr lindamente”, termina.

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