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Futuro

1. Já está em Pequim o presidente da República Portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa para uma visita plena de significado. A visita de seis dias divididos entre Pequim, Xangai e Macau percorre os mesmos passos dados por Cavaco Silva em maio de 2014. A visita de estado acontece num ano marcado pelo duplo aniversário redondo – os 40 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a República Popular da China, e os 20 anos da transferência de Macau. Surge igualmente quatro meses após a estadia do Presidente Xi Jinping em Lisboa, altura em que Portugal declarou apoio formal à Iniciativa Faixa e Rota. Ao longo destes meses, desde a visita de Xi a Portugal, Lisboa tem estado sob intensa pressão de Washington e de algumas chancelarias europeias em torno da investida norte-americana contra a Huawei. A intensificação da disputa sino-americana estreita a via portuguesa entre a aliança com os Estados Unidos e a parceria com a China. Em todo o caso a adesão da Itália à Faixa e Rota e a mudança de tom de Paris e Berlim face à China nas últimas semanas trouxe algum alívio a Lisboa. E Portugal – qual face de Janus – posiciona-se além do passado e do futuro: no extremo ocidental dessa península da Eurásia. Da Beira-Mar para a Beira-China.
2. Durante as 24 horas em que Marcelo Rebelo de Sousa estará por Macau, certamente que terá a oportunidade de cumprimentar – num dos eventos oficiais – o provável futuro Chefe do Executivo de Macau. Ho Iat Seng deu o passo em frente e prepara-se para cumprir o destino que muitos já lhe traçavam há uma década quando era apontado como potencial sucessor de Edmund Ho. Ao longo destes dez anos, ganhou experiência legislativa em Macau – juntando-se à de Pequim – apesar de não ter desempenhado qualquer função executiva.
Visto como discreto, prudente e leal, não deixou transparecer ao longo destes anos uma visão para o futuro de Macau. É esse o desafio. E há tanto por fazer, que o atual Governo não conseguiu, não soube, não pôde ou não quis concretizar. Pode começar, por exemplo, por cumprir um dos direitos fundamentais previstos na Lei Básica que esta semana foi, mais uma vez, negado em virtude do voto em bloco de deputados nomeados e da maioria dos deputados eleitos indiretamente. Uma lei sindical que consubstancie o “direito e liberdade de organizar e participar em associações sindicais e em greves”, plasmado no Artigo 27o da lei fundamental. O futuro pertence a todos.

José Carlos Matias 26.04.2019
Editor

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