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A votos

Brasil e São Tomé e Príncipe vão a eleições no domingo. O PLATAFORMA falou com os presidentes das associações dos países lusófonos em Macau. Jane Martins e António Costa falam do período conturbado que os dois territórios vivem.

Crise económica, corrupção e insegurança são problemas em crescendo no Brasil. O Estado não consegue dar resposta e a população começou a vir para a rua desde 2013. Domingo elege o futuro presidente brasileiro. Jair Bolsonaro, militar, continua na frente em empate técnico com Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), dos antigos presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff.
A presidente da Casa do Brasil em Macau acha difícil que o novo presidente seja eleito na primeira volta, tendo em conta que muitos eleitores ainda têm dúvidas e que outros mudam de ideias quando votam.
Bolsonaro tem liderado as sondagens. O militar de extrema-direita é político há 27 anos, defende o golpe militar de 1964, afirma-se como anti-establishment, politicamente incorreto e com ficha limpa num país de corruptos. Pelas posições que toma, muitos consideram-no racista, homofóbico, xenófobo e machista.
Jane Martins rejeita a expressão “extrema-direita” para falar do político. “Não concordo com a palavra Extrema-direita. No cenário atual, não se trata da direita contra a esquerda, o povo não aguenta mais corrupção, violência, falta de saúde pública, educação em níveis baixos e assustadores”, vinca a responsável, que ressalva que fala na qualidade de eleitora, e não em nome da associação ou dos brasileiros em Macau.
Martins defende que os 16 anos do PT no poder foram de “caos de governabilidade entre amigos” que levaram o Brasil a liderar a lista de corrupção mundial.
“O PT tirou milhões da pobreza? Tirou sim e os colocou na miséria”, realça. Martins fundamenta com os 52,168 milhões de brasileiros, um quarto da população, que viviam abaixo do limiar de pobreza do Banco Mundial, em 2016.
“É preciso acabar com a corrupção, um Governo de pulso firme, que coloque ordem no país, que não roube a população. Os brasileiros estão desesperados por melhorias na saúde, educação e principalmente segurança pessoal.”
O voto de Jane Martins vai por isso para Bolsonaro. “Pode não nos levar ao céu, mas pode tirar-nos do inferno, que é a atual situação política e económica do país.” E completa: “O Bolsonaro representa uma rutura em relação ao Governo dos últimos longos anos. O povo prefere uma polícia com mais poderes que os bandidos”.

São Tomé e Príncipe

A população da ilha também vai a votos no próximo domingo. Cerca de 97 mil eleitores são chamados às urnas para votar para a Assembleia Nacional, para as autarquias e, no Príncipe, para escolher o novo Governo regional. O contexto aproxima-se do do Brasil. 63 por cento da população vive no índice da pobreza – há cinco anos, era 54 por cento -, por causa da crise económica e do aumento do custo de vida.
O presidente da Associação do país em Macau diz que o cenário leva a crer que o Ação Democrática Independente (ADI), partido no poder, não vai repetir a maioria absoluta de há quatro anos. António Costa prevê uma abstenção elevada devido ao desgaste do partido no Governo e ao facto dos partidos da oposição terem estado “muito apagados” na última legislatura.
Costa confessa ser difícil escolher qual seria o melhor partido para governar. “Parece não haver grande distinção entre os partidos. Não existe uma esquerda, uma direita ou aquilo que se chama bloco central. Por outro lado, desde 90, quando passámos a ter multipartidarismo, nunca tivemos um Governo que sobressaísse, que se distinguisse”, contextualiza o líder da Associação de São-tomenses e amigos de São Tomé e Príncipe Macau-China.
A falta de energia elétrica, de saneamento básico, de água potável e de transparência – “que parece ser uma doença naquela terra” – são problemas que persistem, refere.
“Não vejo um partido com força para responder de forma básica, já nem espero uma resposta de grande qualidade. Se com um Governo de maioria absoluta foi o que foi, imaginemos um plenário muito mais diversificado.”
Ainda assim, o responsável defende que, “apesar de não parecer”, o país tem “muito potencial”. A posição estratégica, os setores do turismo e das pescas – “que pode e deve ser explorado” – são riquezas da ilha que, apesar das dificuldades, pode ser uma mais-valia para Macau e para a China, que investem na lusofonia.
Na corrida às urnas, estão Ação Democrática Independente, Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (principal partido da oposição), Partido de Todos os Santomenses, Partido Força do Povo, Movimento Social Democrata-Partido os Verdes, e o Movimento Cidadão Independentes. Há ainda uma coligação composta pelos Partido da Convergência Democrática, Movimento Democrático Força da Mudança e a União para a Democracia e Desenvolvimento.

Catarina Brites Soares 05.10.2018

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